Volto em breve


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EM RECESSO… PARA MEDITAÇÃO!

Salve os bons velhinhos


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Há traumas que nem sei como a gente consegue superar. Descobrir, por exemplo, que PAPAI NOEL não existe. Quem diz que não se abalou, desconfio, não foi criança.

A princípio, fica aquele gosto amargo, revolta. Aos que conseguem crescer, só resta a torcida para que a vida, a cada novo Natal, seja surpreendida com o triunfo do bom velhinho. Ainda que em carne e osso, que ironia.

Talvez seja por isso que continuamos a levar nossos filhos para ver o Papai Noel chegar nos shoppings, sem o peso na consciência de estar semeando frustração. A gente não confessa, mas, mesmo breve e tardia, não deixa de ser uma redenção.

Acontece que quando menos se espera a tinhosa e cruel realidade insiste em nos chicotear. Há dias, no jornal “O Estado de São Paulo”, a jornalista Ana Paula Lacerda anunciou a crise: são cada vez mais raras as vagas no comércio para Papai Noel.

Segundo a matéria, neste período de vendas frenéticas a fila não tem andado para Papais Noéis: os que trabalharam em anos anteriores voltam a ser chamados pelas empresas e a contenção de despesas inibe a seleção de novos candidatos.

Veja que situação!

Para os insensíveis pode até ser irrelevante, um corriqueiro desajuste no mercado de trabalho. Mas para outros tantos, como eu, é simplesmente o armagedom.

Quando pensei em buscar um trabalho temporário neste fim de ano, fui logo eliminando as possibilidades tradicionais. Vendedor? Não dava: só aprendi a comprar. Segurança, então… Correr atrás de ladrão com essas crises de nervo ciático que venho tendo daria cadeia. Pra mim.

Sobrou o melhor de tudo: Papai Noel. Imagina: adoro criança e ainda por cima poderia dividir as balinhas com elas. O céu! Sem contar o lado prático: ganhar uns caraminguás para repor o investimento milionário que fiz neste Blog Revista. Matava duas renas com uma cajadada só. Ops! Essa minha falha de caráter…

Estou inconsolável.

Apostava tanto minhas fichas nessa barbada que já tinha até encomendado um modelo exclusivo a um dos mais renomados estilistas do país, que apresento aqui em primeiríssima mão. Se houvesse um Natal Fashion Week, não sobrava pra mais ninguém.

Esse verdadeiro crime contra o espírito natalino é a razão da nova campanha que o Blog Revista lança: “O sonho não acabou. Salve os bons velhinhos”. Primeiro passo: boicote as empresas que não contratam Papais Noéis. Faça uma corrente entre os amigos. O gorro é nosso!

E como não abro mão da fantasia, ofereço aos queridos leitores uma singela lembrança, que, espero, traduza a enorme estima que este candidato a Papai Noel tem por todos vocês. Tiragem limitada, numerada e assinada, como toda obra-de-arte que se preze. Pode imprimir e emoldurar.

Tenho certeza de que fará seu Natal mais feliz!

Papai Medina Noel

Ah, quanto ao meu Natal, se você quiser mesmo ajudar, não gaste com cartão e selo. Prefiro que coloque o dindim num envelope e me avise. Vou buscar. Caixinha em punho.

A revolta do peru


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A noite de NATAL sempre prometia no casarão. A parentada chegava em levas. Os da casa, principalmente as filhas descasadas, costumavam vir mais cedo para secar a famosa adega do doutor - homem de careca reluzente, bigode farto, cara de poucos amigos, que não escondia a irritação com aquilo que classificava de invasão bárbara.

Nada indignava mais o doutor Ernesto que a tropa de agregados, cujo crescimento chegou a tal ponto que a solução foi promover um amigo oculto. “Prática insuportável”, não cansava de repetir. Até as paredes do casarão já sabiam decor e salteado a descrição que cada um faria ao revelar o nome sorteado. Se fosse adolescente: “Precisa tomar juízo”. Para o pai: “O maior mala”. Da mãe: “A coroa estressa a gente”. O irmão: “Véio, não vejo a hora de você sair de casa”. A prima de piercing e silicone: “Irado”. Se viesse do interior, então, não perdoavam: “Vai ganhar um lampião novo”… E dá-lhe xaropada.

Tudo corria normalmente. Homens na sinuca; tias e primas ajudando dona Corina na arrumação das mesas; netas brincando de esconde-esconde com os namorados no jardim; criançada correndo feito cabrito…

De repente, um grito de pavor atravessou a casa, sacudindo até os penduricalhos da árvore:

- Sinhá, sinhá! Acode! Acode!!!

Todos correram para o quintal e encontraram Benedita em estado de choque. Facão em punho, a cozinheira apontava para o vazio.

O doutor abriu caminho entre as mulheres - algumas já subindo em cadeiras com medo de rato - e logo entendeu a tragédia:

- Chamem a polícia, roubaram o peru! - ordenou.

Antes de desfalecer, a cozinheira só teve forças para emendar:

- Não, patrão. Ele fugiu! Só deixou uma carta.

A fuga do peru macho holandês, que há mais de um ano vinha sendo engordado para a ceia, era até compreensível. Afinal, instinto de sobrevivência é o que não falta a um bichano daqueles. Mas uma carta de despedidas…

O doutor abriu o envelope - peru importado, letrado e fino - colocou os óculos, limpou a garganta e impostou a voz como fazia quando ainda era juiz e anunciava as sentenças de forma implacável:

“Prezada família,

Agradeço a atenção que tiveram comigo, mas acho, sinceramente, que mereço um fim mais digno.

Sei que para muitos de minha espécie é uma honra cumprir seu destino, oferecendo-se em sacrifício para uma ocasião tão especial. Mas, sinto muito, tô fora!

Que fique bem claro: não era minha intenção estragar festa alguma. Até porque, jamais imaginei ver a família reunida depois dos tantos barracos que presenciei.

Achei que continuaria tranqüilamente desfrutando da hospedagem e participando da maior diversão da rua: apostar com o papagaio da vizinha qual seria a próxima pancadaria dentro da casa.

Mas, eis que fui surpreendido por essa súbita trégua entre vocês para distribuição de presentes… tendo justamente a mim como prato principal!?!

Lembrei-me das cenas horripilantes que vi pela janela no último Natal. Tia Veridiana criticando o tempero. Genros reclamando do sogro muquirana por ter servido frangão em vez de lagosta. Os sobrinhos se lambuzando com aquela farofa seca. As mulheres falando mal dos maridos e dos filhos…

Não, definitivamente, não foi isso que sonhei para aquela que deveria ser a minha primeira e única Noite Feliz.

Desculpem o transtorno, mas prefiro fazer como seus netos: seguir logo pra balada.

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo de muita paz.

Ao menos tentem!

Ah, já ia me esquecendo: estou levando o leitão junto. Peçam pizza.

Um abraço do peru!”

(Crônica publicada na revista Ímpar - dezembro/2006)

Quem casa…


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Esse recorde de divórcios no Brasil, apontado pela última pesquisa do IBGE, me fez lembrar do espetáculo “NÃO SOU FELIZ, MAS TENHO MARIDO” - imperdível, pelo conjunto da obra, dos mais caprichados, especialmente a atuação arrebatadora da ZEZÉ POLESSA. Durante o ano todo o indiquei (olha a pretensão) a amigas, independentemente de espécie: casadas, divorciadas e solteiras. Ou de gênio: feministas, indecisas e, principalmente, aquelas que, como diz a piada, fingem orgasmo porque pensam que os homens se importam com isso.

As primeiras reações, de impulso mesmo, simples menção do título já revelam o quanto essa história de pensar a relação deixa o mulherio em polvorosa.

Algumas torcem o nariz e fazem cara de quem ouviu um insulto mortal. São as que não se conformam com o fato de a arte imitar a vida.

No outro extremo, estão as que esperam que a arte sempre se coloque a serviço da vida: até perguntam se tem um abaixo-assinado na entrada.

Mas a maioria vai mesmo de coração aberto. Em busca de consoloâ ou estímulo.

Insisti para que duas amigas (uma, viúva, e outra, divorciada; ambas pós-balzaquianas) assistissem. Perguntei, então, se tinham se identificado com a Vivi, personagem que dispensa o figurino de vítima quando se vê s voltas com as lembranças de um casamento que, como quase todos, vai do quente ao frio sem pedir licença.

A princípio, uma delas veio com o eterno “homem é tudo igual, só muda de endereço”. Depois completou: “Mas não trocaria o meu por nenhum outro”. Foi a viúva, é claro.

A outra, separada há muitos anos, lembrou uma frase do texto que, segundo ela, resume o pensamento de toda recém-casada: ” Mas eu tenho a vida toda pela frente para transformar você no marido que está destinado a ser!” Aí, fez uma pausa dramática e emendou, desolada: “É o nosso grande erro”.

E eu continuo aqui pensando o quanto deve ser insuportavelmente frustrante a uma mulher não conseguir realizar aquele que se tornou seu primeiro e maior objetivo de vida: ser amada. Exatamente do jeito que ela quer; não vale outro e ponto.

Muitas sucumbem frente ao fracasso e até ficam doentes. Mas existem também as que cansam de mendigar - ou exigir? - afeto e resolvem mastigar, engolir e vomitar aquilo tudo. Mesmo que para isso esperem 27 anos, como a Vivi da peça, inspirada na vida como ela foi para a jornalista argentina Viviana Gómez Thorpe (que contava histórias divertidas e traumáticas de seu casamento desfeito num programa local de rádio e depois as reuniu num livro de sucesso internacional).

Quanto aos homens… Bom, eles se dobram de rir com os conflitos cotidianos desfilados no palco e fingem dar de ombros.

Mas é claro que ficam com a desconfortável sensação de que em briga de marido e mulher até Zezé mete a colher!

Fantasia musical


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Desde a infância eu sonhava com uma aventura fantástica: ser engolido por uma baleia. Como Pinóquio, lembra?

Finalmente aconteceu. Acho que por ter sido menino bonzinho.

A baleia da historinha chamava-se Monstro. Dentro dela, o boneco ficou boquiaberto com a sinfonia que ouviu: coração batendo com o vigor de timbales, pulmões assoviando como tubas…

A minha também recebeu nome de batismo altura de sua grandiosidade (em todos os sentidos): SALA SÃO PAULO. E meu encantamento teve motivo ainda maior: um concerto da impecável OSESP, com programa luxuoso que incluía Strauss, Tchaikovsky e Mozart.

Já havia me lambuzado com algumas das melhores orquestras do mundo, em palcos consagrados, mas essas duas entidades pululavam em todos os meus sonhos de consumo. Parêntesis: refiro-me sala paulista também como “entidade” porque, mesmo quando a via apenas pela TV, já sentia que se tratava de um organismo tão vivo quanto os músicos e o público que a povoavam.

Pois, acredite: ser engolido pela Sala São Paulo é uma experiência invulgar. Não se trata apenas de um êxtase visual. Cada detalhe de sua arrojada arquitetura - o desenho, recheado por aquela elegantíssima madeira marfim, colunas, poltronas, balcões e o espetacular forro de painéis móveis - parece vibrar, com força arrebatadora da… musculatura de uma baleia.

Tudo isso salta ainda mais aos olhos quando se assiste ao espetáculo debruçado na orquestra. Não, não nas primeiras filas da platéia, o tradicional gargarejo; mas no fundo do palco, onde costuma ficar o coro.

É lá que se obtém esta visão de tirar o fôlego:

S.R./Medinaonline
Sala São Paulo - concerto OSESP

A competência de profissionais brasileiros e o melhor da tecnologia mundial dotaram a Sala São Paulo (que está ao lado de uma estação de trem!) de uma acústica impecável, transformando-a em referência internacional. Portanto, em qualquer um de seus pontos o orgasmo auditivo é o mesmo. Mas ali de tão pertinho, a gente quase levita. E se segura pra não cochichar no ouvido dos músicos: “toca de novo!”

Quanto s imagens… Bom, se você for curioso, é uma festa. A apaixonante dança dos violinos e dos violoncelos; as mãos abençoadas do pianista; os penteados impecáveis das concertistas; as surpreendentes reações da platéia (que variam da quase paralisia mais descarada soneca, com direito a providencial cutucão do vizinho)…

Mas nada disso supera uma emoção que todo espectador deveria experimentar, ao menos uma vez: fitar os olhos de um maestro.

De costas, seus movimentos talvez pareçam simplesmente arquitetados para colocar ordem naquele caldeirão de partituras. Às vezes com rigor militar; outras com graça de coreógrafo. Mas é justamente quando observado de frente que se descobre seu segredo: muito mais do que comandos mecânicos, o que ele lança sobre seus músicos é feitiço puro.

Ali, nas profundezas da garganta de minha baleia, cheguei a uma conclusão: a gente não vê, mas o maestro, como o velho Gepeto, conta sempre com a ajuda de uma fadinha. É assim que dá vida s músicas e faz pulsar mais forte um coração.

Até mesmo de um boneco de madeira como eu.

Moderna maturidade


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Além de crônicas, tenho escrito alguns artigos, que passarei a reproduzir aqui também. Esse aí abaixo foi publicado recentemente na revista ÍMPAR:

A Moderna Maturidade no Parque de Diversões

Eles finalmente chegaram ao paraíso - não, não o eterno; o daqui da Terra mesmo. E, se depender do marketing, para ficar.

Antes, os “maduros” eram vistos apenas como uma clientela com consumo restrito a itens de sobrevivência, como saúde, alimentação, moradia e transporte. Por isso mesmo, quanto mais os cabelos prateavam, menos interessavam ao carneiro de ouro dos tempos modernos, o mercado - monstro famigerado que nas últimas décadas preferiu se voltar com apetite incontrolável para os jovens e seus modismos.

Mas eis que, contrariando hábitos quase sagrados, esses “brotos” (naquela concepção do Houaiss de “pessoa fisicamente bem conservada”) resolveram apostar em investimentos no aqui-e-agora. Resultado: trocaram um estilo de vida quase marginal por uma passagem de primeira classe para a modernidade e, quem diria, passaram a se apresentar, em alto e bom som, como a mais nova tribo urbana a navegar nas águas da globalização.

Os norte-americanos, que adoram rotulações sociológicas e entendem de mercado como ninguém, os batizaram de Modern Maturity, também título da revista publicada pela Associação Americana de Aposentados. E a moderna - e poderosa - maturidade colocou seu bloco na rua, literalmente, ameaçando a hegemonia de tantas galeras já desbotadas (patricinhas & mauricinhos, yuppies, clubbers, plocs…), no ranking de consumo de bens e serviços. Nada como ter bala na agulha!

Ímpar - Maturidade (capa)Aqui em nossos verdejantes trópicos, o movimento teve início na década de 90. A psicóloga Elen Souza, coordenadora do Sênior - Curso de Extensão para a Melhor Idade, da UNAES, lembra-se de um comentário marcante que ouviu na primeira turma do curso, há três anos: “O confisco da poupança no Governo Collor levou ao infarto muitos de nossos amigos que guardavam dinheiro para a velhice e para deixar aos filhos”. Foi então que começaram a acordar para a vida e, bolsos cheios, foram s compras.

Obviamente, a essa altura do campeonato, uma cruzada contra padrões impostos em vida inteira não poderia ser comparada aos arroubos de rebeldia dos adolescentes, que tantas vezes se tornam reféns das artimanhas da publicidade. Contestação sim, mas com critério e autocrítica acentuados. A psicóloga aponta para uma intensificação de questionamentos: “Eles estão antenados, mas não são facilmente influenciáveis. Hoje, consomem mais, porém avaliam muito bem tudo que lhes é oferecido. Eu costumo brincar lembrando a eles que não precisam mais ter somente dois pares de sapatos, um para trabalhar e outro para rezar, como se dizia antigamente. Esse sentimento de culpa, por consumir em vez de só poupar, eles estão superando”.

Tem-se aí a primeira grande revolução pessoal que eles bancam - não apenas emocionalmente falando, mas também em termos econômicos. Cresce entre os “sêniors” a procura por aprimoramento em educação e instrução, ferramentas imprescindíveis nesta era da informação. As “faculdades da melhor idade” têm procurado suprir essas expectativas, oferecendo disciplinas que vão desde cidadania, políticas sociais e voluntariado, a idioma, moda, informática e comunicação, passando por psicologia aplicada maturidade e finanças.

Enfrentando muitas vezes a resistência dos maridos, as mulheres, historicamente reprimidas, se lançaram em busca de autoconhecimento e independência, ao menos de pensamento (”libertação”, como muitas delas fazem questão de frisar). Afinal, foi-se o tempo em que qualquer pessoa, jovem ou anciã, podia se dar ao luxo de imaginar que nada mais haveria a aprender. Ou mesmo tempo suficiente para evoluir.

Em diversas outras frentes, o chamado “poder grisalho” vai derrubando tabus e engordando o PIB, com demandas cada vez mais especializadas. Não são poucas as empresas que correm a despender bilhões de dólares para adaptar seus produtos s necessidades desses novos consumidores: montadoras de carros (assentos especiais), indústria alimentícia (embalagens mais legíveis), setor financeiro (clubes de investimentos). Algumas chegam a reinventar a roda, como a gigante japonesa Sony, criadora do PlayStation, febre entre a garotada, que aumentou o tamanho dos botões dos consoles de seus jogos eletrônicos para atender também aos vovôs. Bom, isso ainda não mudou: enquanto elas saem para se divertir, eles continuam preferindo um bom sofá e o controle remoto ao alcance das mãos.

As promessas de maior longevidade feitas pela ciência e a redescoberta da sexualidade, no embalo do efeito Viagra, inflamaram o interesse pela estética. As tradicionais cirurgias plásticas faciais e de lipoaspiração já perderam terreno para os ácidos e cosméticos de última geração que estão virando a cabeça até dos cavalheiros mais conservadores. Sem falar no silicone, que conquista cada vez mais adeptas, como Ivonete Teixeira, que acaba de implantar próteses. “Há 40 anos fui a um médico e pedi para ter peito e bumbum, porque sempre fui muito magra. Nesse tempo todo me dediquei família e só agora pude realizar esse sonho. Estou me sentindo bonita e jovem. Não importa por quanto tempo vou desfrutar dessa sensação; já vai ter valido pena. Acho que isso irá influenciar minhas amigas”, afirma ela, turbinada e feliz da vida.

Em se tratando de lazer e cultura, o que geralmente se restringia a atividades lights, como os bailes da terceira idade e bingos, agora também incorpora programas antes evitados por dificuldade de acesso ou mesmo desinteresse, como espetáculos, cinema, palestras, cursos e afins. Inclua-se aí uma vertente especial: a descoberta da vocação expressão artística. Se antes privilegiavam a relativa discrição dos trabalhos manuais, como tricô e pintura (para consumo familiar), agora avançam sobre os palcos em busca dos holofotes e platéias do teatro, da música, da dança e da literatura. Que Santa Cora Coralina abençoe!

Quanto s viagens, outrora restritas a breves visitas familiares ou raras excursões, hoje, segundo economistas, já representam 5% do orçamento da faixa etária superior aos 50 anos. E vêm se tornando mais constantes e longínquas, implicando em gastos maiores com vestuário específico e aprendizado de etiqueta, história e idiomas.

E quando se pensava que nada mais restava aos “coroas”, eles mandam avisar que já avançaram também sobre a última fronteira qual ainda tinham inabalável resistência: a informática. O instrutor Hamilton César Cintra Maria afirma que o número de usuários só faz aumentar: “Eles são muito interessados, exigentes e já conseguem dominar as principais ferramentas do computador. Os fabricantes também estão se adaptando a esses novos consumidores, oferecendo mouses mais lentos e teclados anatômicos”. Ana Dirce, uma de suas ex-alunas, acessa diariamente a internet desde 2002. “Leio os jornais online, entro nas salas de bate-papo e me comunico com familiares e amigos pelo msn. Não vivo mais sem o computador”, revela. Aliás, veio justamente dela uma reflexão que se tornou célebre entre as colegas de curso: “A mulher moderna não é aquela que anda bem vestida. Ela tem que dirigir carro, usar o computador e falar ao celular”.

Enfim, eles estão na moda! Exagero? De modo algum: todo esse panorama já está sendo cientificamente comprovado. O Programa de Estudos do Futuro, da USP, pesquisou o novo perfil do consumidor brasileiro e apontou o inevitável: a mulher e o idoso “ditarão novas regras para o mercado em 2010″.

Maduros, brotos, sêniors, grisalhos, coroas, experientes… não importa como sejam chamados. O fato é que chegou a hora dessa rapaziada mostrar seu valor. E provar ao mundo que a vida pode ser um parque de diversões com data de validade muito além do que sonha nossa vã e arcaica sabedoria.

Mãe coragem, filho…


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Já tinha ouvido falar de diversos transtornos psicóticos desenvolvidos por filhos desnaturados, geralmente caçulas e temporões, resultando em atrocidades mil contra suas próprias e indefesas mães. Apropriação de aposentadoria, cárcere privado, disco do Roberto Carlos de presente de Natal, espancamento, matricídio e por aí vai. Mas acabo de ser surpreendido por um amigo que cometeu o inimaginável: algemou a mãe e foi ao cinema!!!

Isso mesmo: pôs ALGEMAS na coroa, literalmente.

A explicação, ao menos, é aceitável: a corajosa e serelepe senhora tinha feito cirurgia plástica e não podia ficar mexendo os braços. Como não havia jeito dela se comportar - nordestina arretada, já viu -, a solução foi radicalizar.

É versão doméstica do famigerado RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), tão em voga nos presídios de segurança máxima.

Mas, torturas parte, confesso que fiquei mesmo curioso com duas coisas muito simples, de certa forma complementares: saber de onde veio essa idéia e por que ele guarda tão particular acessório em casa.

Elaborei algumas teorias.

A primeira, evidentemente, de que ele já se viu nessa situação. Mas, fugiu da cadeia? Levou as algemas de lembrança quando foi solto? Ocorreu-me ainda, que, apesar de jovem, ele tenha sido um desses cangaceiros que espalham terror pelo sertão, de onde veio - até porque, cultiva os mesmos hábitos refinados de Lampião: adora um modelão fashion, só usa perfume francês e domina uma sanfona como ninguém. Além, é claro, de ter sempre uma Maria Bonita por perto (nem que seja pra passar as roupas). Esses cabras… Apesar desses indícios, nada faz muito sentido. Até onde sei, o elemento (aparentemente) tem ficha limpa.

Outra hipótese é que as algemas sejam objetos de alguma fantasia. Como ele não é punk nem carnavalesco, talvez se trate de um adereço de… (será?!?). Bom, nesses assuntos referentes a folias de alcova sou ultraconservador - de Sade só conheço a cantora -, e prefiro me abster de emitir comentários a respeito. Só de pensar, enrubesço.

Quanto função e a origem das algemas, fiquei constrangido de perguntar e continuo aqui amargando essa dúvida corrosiva. Mas o que levou a esse ato desesperado até eu, que de psicanálise entendo patavina, já identifiquei: revolta!

Primeiro, obviamente, o inconfessável: viu vicejarem novamente aqueles peitos que ele, quando bebê, tinha simplesmente esgotado. Pensava que os havia seqüestrado para todo o sempre, eliminando qualquer concorrência, mas… maldito silicone!

Como se não bastasse, a mãe costumava, logo ao raiar do sol, invadir o quarto dos filhos, faxinando tudo e todos que visse pela frente. Apavorado com esse trauma, agora que a situação se inverteu - sendo a casa dele, e ela a hóspede -, foi tomado pela necessidade incontida de mostrar quem manda no pedaço. Ah, crueldade!

Bom, o importante é que ela adorou a idéia e, embora sua hiperatividade teimasse em sabotar o plano, dormia algemada e satisfeita. E ele ia tranqüilo pra balada.

Moral da história, as algemas podem revolucionar os pós-operatórios, para felicidade dos cirurgiões e das pacientes.

E, principalmente, dos filhos desesperados. Afinal, não falta quem tenha razões de sobra para fazer uma releitura dos inesquecíveis versos do Vinícius:

“Mães… Mães?
Melhor não tê-las!
Mas se não as temos
Como sabê-lo?”


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Para mim, basta!

Confesso: o DOSSIÊ é verdadeiro!

E antes que ele caia nas mãos de aloprados, faço questão de mostrar aqui, em primeiríssima mão, as malfadadas FOTOS:

Suassuna.jpg
Nelson Pereira dos Santos e RM.jpg

Sim, SOU EU mesmo, flagrado em encontros secretos com os imortais ARIANO SUASSUNA e NELSON PEREIRA DOS SANTOS, em busca de apoio minha candidatura para… a Academia Brasileira de Letras!

Mas afirmo ser totalmente “fantasiosa” a denúncia de que contratei o PCC para seqüestrá-los, estimulado por aquela gag da Rachel de Queiroz de que para entrar na Academia “em primeiro lugar você precisa de um defunto”.

Também re-pi-lo a especulação de que eu estaria incitando correligionários a arrancar com seus próprios dentes os dedos de meus adversários, para reduzir a concorrência.

Patuscada!

Posso ser aspirante a escritor, mas terrorista jamais. Para mim, assassinatos só no papel, e, assim mesmo, de gente sem futuro - método que o próprio Ariano me ensinou (”Quando não sei o que fazer com um personagem, eu simplesmente o mato!”). Além do mais, os colegas podem ficar tranqüilos pois não está em meus planos propor a privatização da Academia.

*

Ufa! Não suportava mais ter que negar, jurar que não sabia de nada, fugir dos debates e privar vocês, meus fiéis leitores e operadores de caixa dois, deste nosso convívio virtual.

Estive ausente todo esse tempo na esperança de que a poeira baixasse. Afinal, são tantos os escândalos na vida pública nacional, que este meu, convenhamos, é igual a dinheiro em campanha eleitoral: melhor que nem seja contabilizado.

Rezei para que petistas e tucanos se aliassem, desistissem do segundo turno e entregassem o país de vez ao Freud (só ele salva). Torci para que a Cicarelli se animasse a pegar “aquela” onda também no Tietê, em pleno engarrafamento da Marginal (sem trocadilho, por favor). Desejei, do fundo do coração, que o Severino voltasse Câmara, reassumisse a presidência e nomeasse o Maluf tesoureiro e o Clodovil corregedor… Nada adiantou, minha mandinga é fraca (congelada, lembrariam velhos e invejosos detratores).

Fui então luta para garantir proteção da chefia. Disfarcei-me de auxiliar de churrasqueiro do Lula, de catador de chuchu transgênico na plantação do Geraldo, de exterminador de traça na biblioteca do Cristovam, e até de figurinista da Heloísa Helena (o que não faz o desespero…).

Mas imprensa, Mistério Público, Polícia Federal, duplas sertanejas e a Fátima Bernardes, todos a serviço de um complô das elites, continuaram a me perseguir, numa operação tabajara de deixar qualquer frota de ambulância rouca.

Tudo por quê? Elementar, companheiro: minha candidatura balançou a oposição.
Reprodução Fardão da ABL

E o que posso fazer? Já nasci com esse carma: ser imortal das letras. Em sessões de regressão sempre me vejo de fardão. Não posso lutar contra isso; estou apenas seguindo o que está escrito.

Não tolero esse bando de autores dissimulados que dizem jamais pensar em prêmios ou em ostentar no peito aquelas folhas bordadas a ouro. Papo furado. Cresci me imaginando naquele majestoso Petit Trianon, em traje de gala (isso mesmo: vou usá-lo diariamente, não apenas na posse), desfrutando do regozijo celestial: o chá das quintas-feiras. Rodeado de luminares por todos os lados, em plena pajelança cultural:

- Faça o obséquio de passar o acarajé, João Ubaldo. Uhm, mas que delícia, Zélia; quero a receita! Da cuca também, Scliar. Obrigado (eis aqui minha primeira proposição se eleito: privilegiar as iguarias regionais)… Desculpe interrompê-lo, Niskier, mas não posso perder a carona no jatinho do Mindlin para São Paulo… (a segunda: sempre aproveitar das boquinhas. Sabe como é, intelectual no Brasil, se não tem emprego público, sobrevive da caridade alheia).

Ah, doce vida! Não consigo imaginar paraíso mais aconchegante. E olha que nem precisava ficar milionário como o Paulo Coelho; embora não abra mão de ser acompanhado pela Glória Maria numa viagem-reportagem no Trem do Pantanal.

Obviamente, tratava-se de um projeto ainda incubado, que eu debatia apenas com meu agente e dois amigos entusiastas da idéia: o George W. e o Chávez. Até que chegou aquele e-mail da Nélida - que reproduzi na nota abaixo e vou distribuir aos milhões, como santinho - e tudo mudou. Foi como se eu tivesse recebido um sinal divino. Passei a me sentir um verdadeiro profeta, daqueles de deixar os cachos do Thiago Fragoso murchos.

Portanto, minha gente, não me deixe só! Cumprirei minha missão até o fim. Seguirei o “chamado” para provar que um simples operário das letras pode sim chegar sala do trono e nele sentar-se, o que nunca na história deste país foi feito - palavras de alta profundidade que tomo emprestado de outro grande iluminado, o Luiz Inácio.

E a oncinha vai continuar bebendo água Perrier…

Embora não diga nem sobre tortura de onde veio o dinheiro!

Reprodução

Nota de três reais.JPG

Quem viver, verá!


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Desculpe o transtorno. Estamos em reforma para melhor atendê-lo.
Voltamos em breve!


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Pronto, o Blog Revista também já tem MADRINHA! E daquelas com champagne em punho para quebrar no casco do navio: NÉLIDA PIÑON, de quem recebi esta mensagem:

Prezado Ricardo Medina,

Só agora tomei conhecimento da matéria As três bruxas e Eu. Uma leitura deliciosa e culta. Só que faltou acrescentar ao que disse tão acertadamente que nos sentíamos felizes com aquele encontro. E tanto, que mais parecíamos querubins inocentes, que donas de um caldeirão propenso a perpetrar urdiduras fatais e intrigas perniciosas e shakespereanas.

Pena que a impressão que fiz para oferecer as outras admiráveis “bruxas” torna a leitura difícil.

Grata pela carinhosa homenagem.

O abraço da

Nélida

“Leitura deliciosa e culta”, segundo a mais importante escritora do Brasil (que ainda se dispõe a enviar cópias para Lygia Fagundes Telles e Fernanda Montenegro)!?! Depois dessa, só me resta pendurar no berço a placa “Fui ao nirvana… Não sei quando volto!”


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Viva! Este BLOG REVISTA sobreviveu incubadora e emplacou as primeiras semanas de existência. Não é pouca coisa. Um verdadeiro batismo de fogo nesta selva virtual, que, em termos de maluquice, supera em muito quele mundinho unplugged que habitávamos antes do Bill Gates ter assumido a chefia.

Nesse tempo - breve em escala solar, mas perene para o espírito - segui a risca os manuais clássicos de recém-nascidos: evitei barulho, luz forte e até mesmo muita gente em volta, para não estressar. Principalmente a mim, pois ando cabreiro com a tal “neurose midiática”, que vem contaminando muitos de meus colegas - já pensou, sacrificar madrugadas de bom sono ou ardente bundalelê para ficar praticando inclusão digital (sem trocadilho)!?!

Embora ansioso para as devidas apresentações, sucumbi insegurança característica de pai estreante, apavorado com a possibilidade de alguém ver na carinha do rebento uma ligeira semelhança com joelho. Ou então zoar do nome (composto, porque acho muito fino, muito nobre). Pior: comentar com inimigos, os meus, é claro - o que despertaria em mim os instintos mais primitivos, como já disse alguém de triste memória.

Felizmente, as primeiras impressões - de familiares e amigos de fé, naturalmente -, foram estimulantes. Fiquei convencido de que não havia parido um frankenstein, um mensaleiro ou qualquer outra criatura abjeta, e dei por vencida essa fase de provações.

Passei então a me dedicar a uma outra missão sagrada da paternidade: decidir o que o filho vai ser quando crescer. Nova crise, pois sou igual quela mãe judia que passeava com os filhos pequenos e, ao ouvir uma mulher comentar “Nossa, que filho lindo você tem”, respondeu de pronto: “Qual, o advogado, o engenheiro ou o médico?” - repare que, apesar do orgulho, não inclui jornalista entre as opções, porque uma raça que vive na maior dureza jamais combinaria com piada de judeu, não é mesmo?

Essa dúvida também foi superada. Rechaçando a implacável cobrança de comportamento moderno que nos fazem, cheguei conclusão de que o melhor mesmo é seguir a tradição e moldar o inocente nossa imagem e semelhança - paga justa por ter sido embalado e alimentado.

Não -toa, o traço mais evidente da personalidade deste Blog Revista é inegavelmente hereditário: síndrome de bisbilhotice - da vida alheia, obviamente, já que a minha não vale um verso furado. Nasceu para contar aquilo que tenho olhado, visto e principalmente reparado, seguindo a receita de mestre Saramago para não ser contaminado pela cegueira. Às vezes dou uma de autor exibido e entro nas histórias, mas, não se preocupe, é só para honrar a natureza da blogosfera (por vezes tão traiçoeira quanto as águas da lagoa que enfeitiçou Narciso).

Com ele tenho exercitado os sentidos, todos, e me divertido muito - tomara que você também. Por isso assumo este compromisso de sangue, suor, lágrimas e veneno: continuarei lambendo a criaâ e distribuindo charutos.

Mas, desde já, também faço uma ameaça: quando ele crescer, eu quero ser escritor.

Bem feito pra você. Quem mandou apostar?

Entre a paz e o sonho


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A revolução palestina vive e só viverá dela mesma“. Esse míssil, de precisão cirúrgica, foi lançado pelo escritor Jean Genet. Lembro-me dele todas as incontáveis vezes em que a temperatura se eleva entre israelenses e PALESTINOS, como estamos vendo nos últimos dias.

Genet escreveu sobre essa tragédia com conhecimento de causa muito maior do que qualquer analista internacional que fica sabendo das últimas pela CNN. Mergulhou fundo no conflito, no início da década de 70, e tirou poesia da dor que assola aquela terra: “…mais por passatempo que por convicção, havia aceitado o convite para passar alguns dias com os palestinos. Acabei permanecendo cerca de dois anos e, a cada noite, deitado, quase morto, enquanto esperava que o comprimido de Nembutal me fizesse dormir, eu mantinha os olhos abertos, o espírito claro, sem espanto nem medo, certamente feliz por estar aqui, onde, tanto de um lado quanto de outro do rio, homens e mulheres há muito tempo vigiavam. Por que seria diferente comigo?

Está em seu último livro, “Um Cativo Apaixonado” (Editora ARX), misto de autobiografia e reportagem de uma experiência ímpar. Lançado em 1985, merece ser lido e relido, por exalar uma atualidade a toda prova e nos conduzir, como muito bem alerta a apresentação, “ao epicentro da devastação de um território físico e humano”.

Para nós, aqui deste distante Ocidente, infelizmente, a questão tornou-se apenas um objeto de curiosidade jornalística. E de baixa audiência, diga-se de passagem, embora mereça da imprensa internacional cobertura cada vez mais competente - como a do repórter Marcos Losekann, na TV Globo, para dar um exemplo próximo.
Arafat 2.jpg

Como jornalista, eu tive o privilégio de observar de perto (o que tem impacto especial, pois a postura de um homem público revela muito de suas verdadeiras intenções), fotografar e ouvir o legendário Yasser Arafat. Foi em 1995, quando ele fez uma visita oficial a Brasília, pouco depois de se tornar presidente da Autoridade Palestina e receber o Prêmio Nobel da Paz.

Era um homem de estatura baixa, pouco mais de metro e meio, mas cuja figura, ampliada por aquele kaffiyeh impecavelmente dobrado na cabeça, emblemático como uma coroa, magicamente dominava toda a cena - muito mais do que já se percebia pela televisão. Exibia um sorriso tão cativante que quase nos fazia esquecer a fera em que se transformava para guerrear por seu povo. O olhar, afiado e penetrante como uma adaga, lhe garantia a primeira das conquistas, o respeito.

Em seu discurso no Palácio Itamaraty, Arafat usou a palavra “paz” - “salam”, em árabe - mais do que qualquer outro chefe de Estado que eu já tenha ouvido (e olha que fiquei quase expert em retórica diplomática, cobrindo o movimento internacional em Brasília para jornal e televisão durante muitos anos). Contudo, não parecia uma ode ao heroismo, ou, em outro extremo, uma súplica. O brado de Arafat soou-me mais como o eco de uma guerra personalista do que propriamente a manifestação sincera de um sonho.

Desde então fico assombrado com a sensação de que, de tão recorrente, esse torpor parece caminhar para o irrevogável. Porque, no fundo, os líderes palestinos e israelenses, mais do que perseguir a paz, se alimentam mesmo de vingança e vitória, garantindo, dessa forma, a triste sobrevivência de seus povos.

E por muito tempo ainda, senão toda uma eternidade, o resto do mundo, como Genet, poderá não mais que vigiar.

Salam.gif “Salam” (paz, em árabe)

Sobre nomes e sabores


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O apelo popular imediato certamente é das pedras filosofais mais cobiçadas pelos marqueteiros. Gastam milhões de neurônios e reais para descobrir uma forma de tornar o político mais “íntimo” das multidões. O mais recente tubo de ensaio dessa experiência é o candidato tucano Presidência da República. Alckmin, como (não) é conhecido, foi rebatizado, para fins eleitorais, de GERALDO.

Os nomes difíceis, afirmam os magos do voto, não são assimilados pelos eleitores de baixa renda e pouca instrução. Tenho lá minhas dúvidas, pois se existe um lugar onde “exotismo” tem vez é justamente em certidão de nascimento de pobre. Principalmente em se tratando de um país tão rico no quesito imigração, o que propicia rasgos de originalidade capazes de deixar de queixo caído os especialistas em antroponímia.

Tempos atrás, quando começou a ficar famoso, depois de ter estrelado o filme “O Auto da Compadecida”, vi o Matheus Nachtergaele ser aconselhado pela Hebe Camargo a mudar seu nome, para facilitar a identificação com o público. Ele respondeu na lata, ao vivo e em cores: “Nem pensar. Aqui no Brasil as pessoas não têm dificuldade de falar o nome do Schwarzenegger; por que então teriam com o meu?” O auditório aplaudiu freneticamente.

Também paulista, o ator não capitulou. E, a julgar pelo sucesso que desfruta, não há marketing que o convencerá do contrário. Em relação a seu conterrâneo presidenciável, se benefício ou prejuízo essa mudança trará, só as urnas dirão. Continuo achando que a maior ameaça vitória de Geraldo Alckmin está mais no sabor, como bem apontou o sábio José Simão, do que no nome. Chuchu, em qualquer língua, é mesmo de lascar.

Atenção!


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Aos amigos, leitores e credores:

O sumiço é temporário, devido agenda cheia: saí para o feriadão e emendei fazendo bico de baderneiro em convenções partidárias.

Não façam piquetes nem greve de fome. Prometo que volto logo.

Por favor, coloquem a correspondência na caixinha.
Até!

O caça-fantasmas e a CPI


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Nem as denúncias do caseiro Francenildo, nem a cafetina dos mensaleiros; menos ainda a sirene das sanguessugas.

A revelação mais assombrosa para classe política em Brasília vem assinada por uma figura muito bem informada da República: Lygia Leite de Camargo. Para quem não conhece: ela trabalha no SENADO FEDERAL desde 1963 e por 29 anos exerceu o cargo de chefe de gabinete de muitos caciques. Um arquivo vivo da melhor qualidade.

Em entrevista ao programa “Nossa Casa - Memória”, exibido esta semana na TV Senado, ela contou que inúmeros funcionários já viram o inimaginável: fantasmas de senadores perambulando pelo Congresso (!!!)

Segundo as testemunhas, suas excelências falecidas costumam atravessar os corredores e até discursar na tribuna, mesmo com as luzes e o sistema de som do plenário desligados.

fantasma 2.jpg
Confesso que a princípio achei a história um tanto quanto duvidosa (só um pouco). Ainda sou do tempo em que “fantasma”, no serviço público, era palavra usada apenas no sentido figurado. Santa inocência! Mas, em se tratando desse nosso Congresso, nada mais nos surpreende, não é mesmo?

Passado o susto, comecei a refletir mais profundamente sobre o caso e matei a charada: isso explica aquele tanto de cadeiras vazias que a gente vê no plenário, principalmente s segundas e sextas-feiras. Está tudo ocupado pelos fantasmas titulares!

E tem mais. A Lygia Camargo é a primeira pessoa de respeitabilidade - eu atesto, pois a conheço -, que vem a público falar do assunto, mas algo me diz que nossos atuais senadores também conhecem profundamente essa conexão com o além e estão escondendo da gente, como a Nasa faz em relação aos ETs.

Lá mesmo, na TV Senado, já vi a senadora Heloísa Helena lançando uma praga horripilante para seus nobres colegas: “Quando eu morrer, volto para puxar a perna dos que estiverem fazendo coisas erradas”. Os poucos, como sempre, que assistiram quele discurso no plenário devem ficar arrepiados até hoje, pois sabem que ela não será a primeira muito menos a última a ter essa espantosa idéia.

É por isso que eu estou aqui torcendo para que um espírito de porco proponha logo a criação da CPI do Lençol Branco. Já que todas as tentativas anteriores falharam, quem sabe desta vez o Congresso se redime dos incontáveis pecados que vem cometendo.

Eu me ofereço como voluntário para integrar a força-tarefa de caça aos fantasmas.

Os mortos e os vivos.

O candidato Redentor


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Deus ouviu as nossas preces!

Enfim um candidato no qual podemos votar com a mais absoluta certeza de que jamais nos decepcionaremos: CRISTO REDENTOR, bênção carioca para o milagre que é ser brasileiro… e ainda ter fé.

Nosso Cristo disputa o título de uma das “Sete Novas Maravilhas do Mundo”, numa campanha da fundação New 7 Wonders, da Suíça, com apoio da Unesco. A votação é popular e vai até julho de 2007 no site www.new7wonders.com. Corra lá e conte aos amigos.

A concorrência assusta. São vinte condorrentes, entre eles: Torre Eiffel, Estátua da Liberdade, Muralha da China, Taj Mahal, Kremlin, Pirâmide de Gizé, Acrópole de Atenas, Alhambra, Coliseu de Roma, Machu Pichu, Ópera de Sydney…

Segundo as estimativas, precisamos de pelo menos 6 milhões de votos para colocar a mão nessa coroa. Só depende mesmo de nós, afinal, trata-se de uma das poucas unanimidades deste país.

Aliás, é o típico caso de um candidato tão genuinamente brasileiro que nem mesmo sua aura sagrada o livra da ação de marqueteiros de araque, aquela gente que opera milagres para vender uma imagem.

Tempos atrás, o Jornal do Brasil publicou uma matéria demonstrando que em muitos postais e souvernirs do Rio de Janeiro o Cristo Redentor é vítima de uma heresia geográfica. Graças a uma fotomontagem, lá está ele… de costas para a Baía da Guanabara (!!!)

Rio - Cristo 1.jpg
Reprodução do JB: imagem original e fotomontagem (embaixo)

Isso mesmo que você está pensando: coitado do turista, enganado duplamente, com a falsificação e seu preço, mais caro que o original. E, como bem lembrou o secretário estadual de Turismo, pobres dos cariocas porque “expõe a característica pejorativa de âmalandroâ, o que prejudica o próprio turismo”.

Não é de hoje que o Cristo é se vê metido em fraude. Também tem a da paternidade: seria obra do escultor francês Paul Landowksi. Falso. Segundo li em O Globo, vem aí um documentário comprovando que o arquiteto brasileiro Heitor da Silva Costa foi o autor do projeto, vencedor de um concurso público, e que o monumento foi construído com ajuda de artistas (inclusive o francês, responsável por parte da obra), engenheiros e calculistas.

Outra inverdade é que tenha sido um presente do governo francês. Papo furado. O Cristo foi bancado com fundos arrecadados por uma comissão junto a paróquias do Brasil inteiro, com direito a doações até de índios bororos. Portanto, nada dessas coisas tão comuns hoje em dia, como dólares em caixas de uísque descendo de jatinhos ou pulando de cuecas, viu!

Foto: S.R./Medinaonline

RM - Cristo 2.jpg É por essas e outras que este Blog Revista também entra de braços abertos nessa campanha e até já vestiu a camisa - para inveja daquele bando de políticos feios que não tem mais direito a poluir nossa paisagem.

Neste caso, só beleza!

Quando vejo o Cristo Redentor e me lembro do Rio de Janeiro, com a devida licença do Tom Jobim, minha alma não apenas canta. Também sorri, dá cambalhotas e tem a vontade incontida de roubar outro verso do maestro: “Estou morrendo de saudades”.

Esperando Almodóvar


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Ainda não há notícias sobre a estréia aqui de “Volver”, novo filme do ALMODÓVAR, mas já estou com uma excitação típica de vésperas de carnaval, louco para saber se a folia deste ano será ainda mais profana do que aquela que passou.

Embora não tenha levado a Palma de Ouro do Festival de Cannes, abocanhou a estatueta de melhor roteiro. Li que ele ficou tão decepcionado e irritado que chegou a fazer muxoxo, considerando prêmio de âconsolaçãoâ - ah, esses cineastas, dependentes incuráveis da consagração total, geral e irrestrita. Mas, para nós, almodovarmaníacos, isso só faz aumentar a curiosidade, já que seus delírios são cada vez mais saborosos.

A melhor definição que já vi sobre as histórias do Almodóvar foi da Regina Casé no prefácio da edição brasileira de “Fogo nas entranhas” (Dantes Editora), uma novela pra lá de safada, escrita por ele há vinte e cinco anos (depois de já ter feito inúmeras fotonovelas e filmes pornôs e antes do sucesso no cinema internacional):
O que mais gosto nas piadas em geral é o começo. Elas quase sempre partem de uma idéia absurda. Tipo essa que eu sempre peço para um amigo me contar de novo: “Um homem perdeu sua aliança de casamento dando uma dedada numa mulher. Nervoso, ele entra na buceta dela para procurar. Lá dentro ele vê um piano de cauda…” E por aí vai. Nem lembro como é que essa piada acaba. O final pouco importa. Só sei que eu morro de rir… Quase todos os filmes de Pedro Almodóvar são assim: acontecem logo de cara coisas incríveis e escabrosas. Com muita naturalidade e sem nenhum julgamento moral. Mas no fim os personagem que atuaram na trama fecham o filme fazendo um café ou conversando amenidades.

Irretocável. De minha parte, cada vez que lembro dessa tirada da Casé me dobro em gargalhadas, além, é claro, de morrer de inveja por não ter escrito isso. Assistindo um filme do Almodóvar, então…

E aqui, ninguém melhor que o próprio cineasta para revelar um pouco de sua fervilhante inspiração:
- “Volver” marca o regresso mais profundo que j fiz minha infância. Já tinha revisitado meus tempos de menino em “Má educação”. Mas aqui eu falo de um período mais doce em que vivi em La Mancha. Foi pouco tempo, mas marcou. Não sou nenhum militante manchego. Tampouco sei se, quando criança, fui feliz ou infeliz. Sei que olhar para trás me deixou com uma visão clara da morte e do tempo que ainda existe para se viver. Percebi nesse retorno ao passado que minha formação dramática vem do que aprendi com minha mãe, minhas irmãs, minhas vizinhas. Ali, colhi as histórias mais ricas. Penélope Cruz diz no filme falas que ouvi da boca de minha mãe.

Uhm, não vi e já gostei. Mas só mesmo assistindo “Volver” para saber se é digno do tremendão Almodóvar. O enredo principal - a relação entre o fantasma de uma mãe com sua filha e a neta - já anuncia um daqueles filmes que somente o próprio autor consegue contar do início ao fim, como a piada da Casé. Este mais ainda, pois o elenco levou o prêmio coletivo de melhor interpretação feminina, pela primeira vez concedido em Cannes, com Carmem Maura frente. Como as personagens mais arrebatadoras dele são justamente as mulheres, imagina só o espetáculo.

Aposto tanto nesse novo Almodóvar que já penso em acampar na porta do cinema. E distribuir senhas para faturar um extra.

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Almodóvar entre Penélope Cruz e Carmem Maura (Foto: Reprodução/AFP)


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Acaba de estrear em São Paulo “Acorda Brasil”, de ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES. É o terceiro texto dele para teatro e tem como mote a Educação. Os outros também abordavam questões sociais: “Brasil S/A”, sobre a perversidade da carga tributária, seguido de “S.O.S. Brasil”, falando da corrupção na saúde pública.

Segundo matéria da “Folha”, ele preferiu não dar entrevistas. Também não houve tempo para veiculação de críticas especializadas nem resposta do público, mas não deve demorar. Afinal, este novo espetáculo junta natureza do próprio autor dois grandes trunfos: uma estrela de alta voltagem, Arlete Salles, e um diretor consagrado, José Possi Neto.

Dessa forma, aqui fico eu com a curiosidade em ebulição. Adoraria saber dele mesmo como tem evoluído seu trabalho - ou hobby - nessa área. Em 1999, quando foi a Brasília para a estréia da primeira peça, fiz uma longa uma longa entrevista exclusiva com ele, exibida pela TV Brasília. Um privilégio entrevistar alguém que fala o que verdadeiramente sente e pensa; coisa rara.

Enquanto notícias não chegam, aproveitei para rever a gravação. Pincei alguns trechos e transcrevo a seguir, para quem quiser saber um pouco mais sobre esse surpreendente (em todos os sentidos) operário bissexto da dramaturgia:

AntÃnio Ermirio 1.jpgR.M. - O senhor vai mudar de profissão?
A. E. - [Risos] Isso é uma aventura, não sou dramaturgo. Acontece que fui candidato ao Governo de São Paulo, em 86, e vi tantas coisas erradas, meu Deus. Eu fazia conferências, palestras e nada mudava. Cheguei conclusão de que as pessoas não pensam naquilo que você fala. Então pensei: talvez se eu fizesse uma peça elas entenderiam mais. Passei a andar com um caderninho no bolso e anotar idéias para depois desenvolvê-las. Foi isso.

R.M. - O senhor respira economia, finanças, e é disso que sua peça trata. Acha que conseguiria escrever sobre algo diferente, um romance, por exemplo?
A.E. - Não… Comecei muito velho esse negócio de ser dramaturgo. Escrevo sobre aquilo que conheço bem. Minha próxima peça chama-se “S.O.S. Brasil” e fala da saúde pública Depois vou escrever outra, sobre Educação, que também já tem nome, “Acorda Brasil”. Com essa trilogia acho que cumpri minha missão.

R. M. - Não dá para esquecer o fato de que o senhor é um homem muito rico. Isso não desfoca sua visão sobre a carência das pessoas?
A.E. - A riqueza tem que ser interna. Eu tenho mais de 34 mil funcionários e conheço muito bem as necessidades deste país, que já percorri inteiro. Uma vez fiz uma viagem de 50 dias pelo sertão nordestino e o nosso motorista parava o carro quando via uma ave e corria para matá-la com espingarda porque era só o que tinha para comer. Há mais de 36 anos me dedico como voluntário área de saúde, primeiro na Cruz Vermelha Internacional e depois na administração da Beneficência Portuguesa. Não costumo falar muito disso, mas como você está perguntando, acho que sensibilidade social é uma coisa que todo homem tem que ter. Eu só peço a Deus todos os dias que me ensine o caminho do bem. Mas nem todo mundo pensa assim. Acho que foi por isso que desisti da política. O Brasil tem que ser colocado em primeiro lugar; não os partidos políticos.

R. M. - Estudou técnicas teatro?
A.E. - Não. Fui pelo que já conhecia, só de assistir, e o Juca de Oliveira [protagonista da peça] me deu alguns livros sobre o assunto. No mais, fui aprendendo muito no convívio com os atores.

R.M. - Chegou a mudar o texto?
A.E. - Sim, o Brasil é muito dinâmico e eu queria que a peça estivesse sempre atualizada.

R.M. - E interferiu no espetáculo?
A.E. - Claro, assisti as apresentações durante quase um ano, e se não gostava de algo, chamava o diretor Marcos Caruso e pedia mudanças.

R.M. - O senhor é conhecido por não se importar muito em se vestir bem, andar na moda. Isso mudou quando passou a conviver com artistas? Eles, s vezes, são tidos como vítimas da moda…
A.E. - [Risos] Não tem isso, não. Eu nunca tive preocupação com a embalagem. Só me preocupo em andar limpo. Nunca comprei um terno fora do Brasil e vou morrer assim.

R.M. - Também não se preocupou com o figurino do espetáculo?
A.E. - Aí, sim! Não quero ninguém mal-vestido em minha peça! [risos]

R.M. - Como tem sido a reação do público?
A.E. - O público em São Paulo foi formidável. Em oito meses, tivemos mais de cinqüenta e dois mil espectadores. Foram mais de cento e trinta apresentações e em todas elas as pessoas aplaudiam de pé, o que me emocionou muito. Mas acho que isso também se deve inteligência do autor de fazer a peça em um só ato. Então, quem não gostava, não tinha a chance de ir embora. [risos]

R.M. - E a crítica?
A.E. - De uma maneira geral, foi muito condescendente. A não ser algumas críticas mais pesadas, como a da revista “Veja” que disse que a peça “não valia um saco de cimento”. [risos]

*

Passados sete anos, gostaria muito de saber se Antônio Ermírio de Moraes reavaliou duas de suas posições: abandonar a política e encerrar sua carreira no teatro.

Tomara que sim. No primeiro caso, porque temos carência cada vez maior de pessoas lúcidas e confiáveis nessa área. Quanto dramaturgia, independentemente da qualidade de seu texto, só pela iniciativa já merece o maior dos prêmios: nosso reconhecimento. Empresários geralmente participam da cultura como investidores - atraídos pelos incentivos fiscais, naturalmente -, o que já é um alento. Mas é ainda melhor quando se permitem observar e entender o humano de perto, tanto quanto fazem em relação ao dinheiro. E nada mais indicado para isso do que a arte.

A propósito, lembrei-me do dramaturgo Bernard Shaw e daquele seu panfleto impagável, cujo nome já diz tudo, “Socialismo para milionários”. Lá pelas tantas, ele escreve: “…não há mão que se estenda ao milionário, a não ser para pedir. Em todas as relações que possamos ter com ele está implícito o erro de que ele não tem nenhum motivo de queixa e deveria sentir vergonha por nadar em dinheiro enquanto outros estão morrendo de fome”.

É por isso que a gente tem mais é que dizer: bravo, Antônio Ermírio!

Rosa, o grande


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RosaA comunidade literária está comemorando os 50 anos de publicação de “Grande Sertão: Veredas”. Homenagem das mais justas a uma das obras-primas absolutas da literatura universal. E por isso mesmo deveríamos ir além, festejando nosso inesquecível GUIMARÃES ROSA com foguetório permanente, a exemplo do Bloomsday, que celebra anualmente, em 16 de junho, Joyce e seu “Ulysses” no mundo inteiro.

Os mineiros já estão nessa onda, realizando eventos tradicionais que mantêm viva a memória do conterrâneo. Em Cordisburgo, sua cidade natal, e em outros cenários que o inspiraram acontecem oficinas, peças teatrais, caminhadas ecológicas, cavalgadas e até barquejada pelo São Francisco, onde Riobaldo e Diadorim navegaram. Mas no resto do país, por ironia do destino, aquele gênio que retratou como ninguém o homem comum brasileiro está sendo reverenciado quase que exclusivamente pela elite intelectual dos grandes centros, em seminários, encontros de escritores e matérias especiais dos jornalões. Vamos torcer para que escolas, órgãos oficiais e os veículos de comunicação regionais também atentem para um marco tão importante da cultura nacional. Aliás, dois: a obra e o autor.

Este Blog Revista - que tem leitura como paixão, mas é cristão-novo no tema - infiltrou-se recentemente em meio a uma concentração de roseanos juramentados, no Rio. Não bastasse ter sentido aumentar o encantamento com todo aquele tesouro literário inesgotável, acabou saindo de lá com outra certeza: a personalidade de Rosa era tão ou mais extraordinária do que aqueles personagens antológicos que ele criou. Um figuraço!

Alguns dos “causos” mais saborosos foram relatados pelo acadêmico embaixador Alberto Costa e Silva, que foi amigo do escritor e seu colega no Itamaraty. Dignos de ficção:

O EXAME
Quando prestou o concurso para ingressar na carreira diplomática Alberto Costa e Silva foi examinado justamente por Guimarães Rosa. Tinha se preparado sobre as mais diversas questões da política internacional e da história brasileira para esse exame, tido pelos candidatos como um verdadeiro bicho-papão. Veio então a surpresa: Rosa pediu que ele discursasse sobre… “os animais na literatura”. Mais roseano impossível.

A QUENGA
A conhecida mania de Guimarães Rosa de fazer anotações de tudo que ouvia em suas andanças para compor seus personagens rendeu momentos inacreditáveis.

Em Manaus, onde participava de uma conferência, o escritor foi a um cabaré, levado por outros diplomatas. Enquanto os colegas dançavam com as prostitutas, ele chamou a mais bonita delas para sentar mesa e puxou conversa, não sem antes tirar o caderninho do bolso. Perguntou como ela se chamava. “Rosa Linda”, respondeu. E ele: “Não minha filha, quero saber qual o seu nome mesmo”.

Ela contou sua vida inteira. Ele, claro, anotou tudo e saiu de lá com uma história daquelas.

A MORTE
Poucos dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras - solenidade que retardou em quatro anos por medo da profecia, que ouvira de uma cigana, de que morreria após uma grande festa em sua homenagem - Rosa sentiu-se indisposto, primeiro sinal do infarto fulminante que teria. Não foi trabalhar e só mais tarde telefonou para sua secretária dizendo que estava passando mal. Ela se ofereceu para levá-lo a um hospital, mas Rosa, médico por formação, não aceitou. Pediu apenas que continuassem conversando, pois queria “morrer falando para alguém”.

E assim fez, até silenciar.


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Por que alguns países alcançam um estágio invejável de desenvolvimento humano e econômico enquanto o Brasil continua a patinar na boca do abismo?

Eis uma pergunta que sempre nos fazemos.

Pois certas imagens explicam esse fenômeno melhor do qualquer tratado acadêmico.

O Blog foi buscar algumas delas. Aí abaixo, duas reações barbárie. A primeira, dos espanhóis frente ao atentado terrorista em Madrid (11 de março de 2004); a outra, dos brasileiros, nesta guerra urbana que SÃO PAULO e todos nós estamos vivendo. Tire suas próprias conclusões:

Espanha.jpg SP Diogo Kotscho vc reporter.jpg

À esquerda, o povo espanhol manifesta revolta e solidariedade nas ruas (Foto: Efe);
À direita, na vitrine de uma loja de São Paulo, o recado deixado pelos funcionários a uma colega, confiando em Deus, e só nele, para protegê-los (Foto: Diogo Kotscho/vc repórter).

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À esquerda, a Plaza de Cibeles, no coração da capital espanhola, tomada por milhões de pessoas em protesto, cena que se repetiu em todo o país (Foto: Manuel Escalera/El País);
À direita, a Avenida Paulista, pulmão de São Paulo, totalmente deserta, assombrada pelo fantasma do medo (Foto: Robson Ventura/Folha Imagem).

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Nas ruas de Madrid, debaixo de chuva, o príncipe Felipe, herdeiro do trono espanhol, encabeça a histórica manifestação contra o atentado, tendo ao lado o então primeiro-ministro José Maria Aznar e líderes de todos os partidos políticos, além do primeiro-ministro da França, Jean Pierre Raffarin (Foto: Luis Magán/El País).
Recordando: Logo em seguida, Aznar perdeu as eleições. Motivo: tentou fortalecer seu governo responsabilizando o grupo separatista ETA pelo atentado. O povo espanhol não perdoou a mentira e o tirou do poder.

*

Quanto ao Brasil… Sabe lá Deus quando as autoridades vão deixar seus gabinetes refrigerados, parar de trocar acusações sobre a responsabilidade dessa tragédia e se juntar ao povo indignado nas ruas.

Pensando bem, talvez isso nem aconteça, já que a brasileirada atualmente está mais interessada em se concentrar para a Copa do Mundo.

E como político brasileiro não costuma perder o emprego por mentir…


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Mais um pré-candidato Presidência da República colocou o bloco na rua: CRISTOVAM BUARQUE. Ainda falta a confirmação pela convenção nacional do PDT, em junho, mas ele já vem correndo o país em ritmo de campanha há tempos.

Em outubro do ano passado o professor, como ele gosta de ser chamado, esteve em Campo Grande (MS) para dar uma palestra sobre reforma universitária. Fui assistir e, para não perder o hábito da bisbilhotice, perguntei a ele se já era mesmo candidato ao Planalto. Ele saiu pela tangente, dizendo que dependia do partido; mas não fez a menor questão de esconder o entusiasmo com a idéia.

Questionei, então, se ele achava que sua maior bandeira, a Educação, seria capaz de conquistar a simpatia dos eleitores a ponto de fazer vitoriosa uma campanha Presidência. Cristovam respondeu sem pestanejar: “Sinceramente, acho que não”. Mas não mostrou qualquer desânimo, afirmando que ainda assim manteria a plataforma, por achar que o mais importante era trazer esse tema para o centro do debate.

Bom, nessa campanha que se anuncia como a maior lavagem de roupa suja já assistida pelos brasileiros em toda a história republicana, tomara mesmo que a Educação deixe de ser solenemente ignorada e se transforme, ao menos, num compromisso eleitoral de todos os candidatos, permitindo a nós, os maiores interessados, escolher o melhor projeto.

Ainda que sabidamente não dê votos, seria fantástico ver políticos discutindo e, mais do que isso, se comprometendo em dar atenção especial ao ensino. Se um dia isso acontecer, provavelmente veremos reduzir sensivelmente essa barbárie de corrupção e violência que assombra o país.

Caso os senhores candidatos tenham interesse, este Blog coloca-se humildemente disposição para divulgar suas propostas.

E se isso não acontecer, não nos abalemos. Façamos piquetes nas portas de seus comitês exigindo respostas.

Chega de dar moleza pra esse povo.

Gal forever


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Gal Costa HojeDesde que comecei a curtir música milito na tribo “fã número um da GAL COSTA“. Ela podia cantar Ciranda Cirandinha que eu achava o máximo. Parava a vida para ouvi-la, juro!

Quando ia vê-la, ficava enfeitiçado. Ela ali no palco, me provocando, ainda que seus olhos sequer percebessem meu coração abalado - só mais um em meio quela multidão iludida, sonhando com uma exclusividade impossível. Coisas da majestadeâ a gente entende, aceita e agradece, fazer o quê?

Um belo dia, ainda levitando depois de um show, um amigo me deu um soco no estômago: “Não agüento mais ouvir âMeu nome é Galâ”. Cheguei a pensar em processá-lo. Afinal, amigos, amigos; idolatria parte. Mas fui obrigado a reconhecer que ele estava certo: aquele duelo entre o trilado dela e a guitarra já tinha saturado.

O tempo passou, ela guardou a música-hino no baú, mas, noblesse oblige, continuou a desfilar nos palcos os tantos sucessos que emplacou. Felizmente, as mais surradas como “Festa do Interior” e companhia foram banidas definitivamente.

No final do ano passado, depois de uma série de regravações, fez uma manobra radical: lançou o CD “Hoje”, só músicas inéditas, a maioria de compositores novos. Uma certeza: dos melhores discos de sua carreira, daqueles que gente ouve e gosta cada vez mais. Contudo, uma dúvida me tirava o sono: o que esperar do novo show? Em entrevistas, ela avisou que não faria “concessões”, cantaria o novo repertório, evitando antigos sucessos, e que o clima seria “praticamente um recital”.

Cumpriu rigorosamente a promessa. Resultado: assim como o disco, o show é um marco em sua carreira. Vi a estréia da turnê nacional no Rio, na qual, em cena aberta, ela considerou o trabalho “corajoso e difícil”. Pois tirou de letra esse desafio: está simplesmente capotante no palco, uma diva, cantando como nunca. Tem mais (momento light, a quem interessar possa): como você pode conferir aí na foto que tirei, ficou um pitéu, dez quilos mais magra, depois de uma dieta em que passou a substituir duas refeições diárias por milk-shake de frutas. Tudo isso numa moldura impecável: banda e vocais maravilhosos e belíssimos arranjos do craque César Camargo Mariano para as canções novas e clássicos de Noel, Cartola e Ismael Silva.

E não pense que é só palavra de fã de carteirinha. Gal também acaba de ser aplaudida por crítica e público pra lá de exigentes: balançou o Blue Note, em Nova Iorque, onde apresentou uma versão in concert do show, e mereceu elogios rasgados do “The New York Times”, que a colocou no patamar de excelência vocal da inesquecível Billie Holiday. Uma consagração.

Entre 26 e 28 de maio, “Hoje” será apresentado em São Paulo. Excelente pedida pra você se esbaldar naquela fantástica noite paulistana, né? Se não puder, espere pelo DVD, com lançamento programado para o final do ano.

Ah, antes que me esqueça, o mais surpreendente de tudo, ao menos para mim: já no final do show, ela ataca deâ “Meu nome é Gal”! Não, não aquela das antigas. É quase outra, cristalina, hipnótica, arrasadora, pra gente nunca mais esquecer esse nome.

Essa Galâ sempre me levando a nocaute.

Multifesta


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Em se tratando de torcida, este Blog estreou com o pé direito. Ok, vá lá, ao menos com o calcanhar, já que o Dinho Ouro Preto acabou eleito o Melhor Cantor na votação popular do PRÊMIO MULTISHOW, embora o Capital Inicial, meu candidato a Melhor Show, não tenha levado o troféu. Deixa estar, ainda tem os prêmios TIM, VMB, Rival Petrobrás… Vou continuar em campanha por eles, pelos argumentos que dei na nota postada mais abaixo (”Voto no Capital”).

Sobre a noite - estou falando da transmissão que vi pela TV, e não de música - alguns pitacos de um festeiro aposentado:
A Ana Carolina merecia mais que os prêmios de Melhor Cantora e CD. Foi a “Bela da Noite”. Impecavelmente bem-vestida, maquiada e penteada, e, acima de tudo, iluminada, deixou no chinelo o time das “perfeitas-mas-sem-sal”, Fernanda Lima, Flávia Alessandra, Letícia Birkheuer, e até a recém-turbinada Ivete Sangalo.

Em relação aos figurinos, os que apostaram na fantasia roubaram a cena: a banda do Marcelo D2 vestida de tripulação, ele de comandante e suas back-vocals de aeromoças, e o Lulu Santos de chapeleiro maluco. Estavam hollywoodianos. Outra que surpreendeu foi a Suzana Vieira, mas pelo mau-gosto da roupa: a mais desoladora imagem de fashion victim dos últimos tempos;

E apesar da potente parafernália tecnológica do palco e daquela penca de celebridades, a mais arrebatadora imagem daquela noite foi… o próprio Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Sua fachada, belíssima, ainda mais valorizada por uma iluminação digna dos grandes monumentos, reluzia como diamante. Quando exibida nos intervalos da premiação das estrelas da música, com o perdão do trocadilho, era de deixar a gente sem voz.

As Três Bruxas e Eu


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Ainda não me dediquei a desenvolver a tal mediunidade que, segundo minhas cartomantes prediletas, tenho de sobra. Mas se tem uma sensação qual dou especial atenção é aquela de achar certas pessoas e situações familiares, talvez até mesmo de uma vida passada.

Foto: S.R./Medinaonline
As Três Bruxas 1Aconteceu recentemente, pela enésima vez. Foi na Academia Brasileira de Letras, onde vi FERNANDA MONTENEGRO, NÉLIDA PIÑON e LYGIA FAGUNDES TELLES juntas e ainda mais iluminadas, coisas da imortalidade, em pleno verão carioca. Fiquei em estado de choque. Afinal, não é todo dia que a gente presencia uma tão extraordinária aparição de deusas, de mãos dadas, saltitantes, como num culto ao sagrado supremo, a arte. Quanta magia concentrada em um só tempo e espaço! O que falavam? Por certo, algo totalmente indecifrável para nós, simples mortais que as veneramos.

Enquanto me dirigia a elas para o devido beija-mão, um turbilhão de imagens tomou-me de assalto. Incrível: já tinha presenciado aquela cena e, acredite, até participado dela. Mas… quando? Dize-me, ó tu, poder desconhecido… (pois é, nessas horas de aflição, costumo invocar o espírito-maior, Shakespeare).

Shakespeare?!? Peraí… É isso, escritores me mordam! Eu fui MACBETH e elas… as TRÊS BRUXAS!

Foto: Reprodução

Macbeth 1.bmp

Nesse exato momento, como sói acontecer aos iniciados, entrei em transe. Convenhamos, receber um Mac de frente é uma experiência única, ainda mais para alguém altamente influenciável por histórias de intriga, ambição, traição, disputas pelo poder - meu lado negro, confesso. Petrificado, só conseguia sentir a memória trabalhando para recobrar cada momento dessa inesquecível experiência, que aqui relato para conhecimento das futuras gerações.

*

Tudo teve início naquela planície, onde as três Bruxas se reuniram para tramar o misto de vitória e tragédia que se abateria sobre mim:
1 BRUXA - Quando novamente as três nos juntamos no meio dos raios e trovões que amamos?
2 BRUXA - Quando terminada esta barulhada, depois da batalha perdida e ganhada.
3 BRUXA - Antes de cair a noite.
1 BRUXA - Em que lugar?
2 BRUXA - Na charneca.
3 BRUXA - Ali vamos encontrar com Macbeth.
1 BRUXA - Irmãs, o gato nos chama!
2 BRUXA - O sapo reclama!
3 BRUXA - Já vamos! Já vamos!
Todas - O Bem, o Mal - é tudo igual. Depressa, na névoa, no ar sujo sumamos!

Mais tarde, na charneca, tendo meu fiel amigo Banquo como testemunha, deparei-me com elas preparando a maldade, dançando e cantando:
- Bruxas da terra e do mar, toca, toca a cirandar, e roda que rodopia! Três voltas para a direita, três voltas para a esquerda, e está feita a preceito a bruxaria.
Perguntei-lhes:
- Quem sois vós três? Caso o possais, falai-me.
A resposta causou-me sobressalto:
1 Bruxa - Salve Macbeth! Salve, Tane de Glamis!
2 Bruxa - Salve, Macbeth, Salve, Tane de Cawdor!
3 Bruxa - Salve Macbeth! Salve, que rei sereis um dia!

A profecia se concretizou, com aquele magistral banho de sangue que todo mundo conhece. Atormentado pela culpa, fui encontrá-las em volta de um caldeirão, numa caverna, preparando feitiço pra me castigar, a mando de Hécate, a divindade da noite, que a elas dizia:
- Bravo! Mestras que sois no ofício, partilhareis do benefício. E agora, como elfos e fadas em roda cantai, de mãos dadas ao redor da mixórdia ardente, embruxando cada ingrediente.
Logo ao entrar, perguntei:
- Eh, horrendas bruxas, filhas do demônio, que estais fazendo?
Responderam-me, as três:
- Obra que não tem nome.

*

Nesse exato momento, trovões e raios resgataram-me do pesadelo. Minha cabeça ainda girava com tamanha alucinação. As três Bruxas logo ali frente, dançando de mãos dadas, a zombar de mim…

Corri em direção a elas, mas, qual o quê! Assim como chegaram, Fernanda, Nélida e Lygia desapareceram em meio névoa da noite.

Quando nos encontrarmos novamente, vou lembrar a elas que fui Macbeth!

Ao menos na mágica eternidade de um flash.

Eu sabia!


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Mesmo com as incessantes fornadas de pizza que Câmara dos Deputados vem nos entregando, temos que reconhecer que jamais vimos tanta reputação ruir de uma só vez. Algumas de forma simplesmente impensável não apenas para o grande público, mas até mesmo para olheiros privilegiados dos salões republicanos. Outras tantas com um final bastante previsível, dentro daquela lógica de que ninguém engana todo mundo o tempo todo.

No fundo, essa epidemia de implosões no cenário político surpreende até mesmo quem acha que a pobre da humanidade não tem mais jeito, como uma vizinha minha que a cada nova denúncia entoa a plenos pulmões pela janela o mantra “EU SABIA!”

Ainda que esteja pra lá de desanimado, não chego a ser tão cético. Mas confesso que venho tendo insights como esses com freqüência cada vez maior. Isso porque entrevistei alguns desses políticos quando trabalhava em TV e jornal lá em Brasília, há mais de cinco anos, e desde então ficava com a pulga atrás da orelha.

Vi há pouco, por exemplo, ex-deputado Bispo Rodrigues entrar algemado na Polícia Federal, pilhado na Operação Sanguessuga, de superfaturamento de ambulâncias. Lembrei-me de uma entrevista polêmica que ele me deu início de 2000. Ele representava a Igreja Universal no Congresso e já era acusado de operar para inchar bancadas, então a do PSDB, com transferência de parlamentares evangélicos (o que repetiu no escândalo do mensalão e lhe custou mandato). Perguntei sobre esse assunto e ele declarou sem-cerimônia: “Não existe bancada evangélica, mas agrupamento de 44 deputados. Evangélicos não formam bancadas, porque se deixam seduzir pela política e se rendem ao mal”. E foi além, defendendo o aumento do salário mínimo com o argumento mais esdrúxulo possível: trabalhadores ganhando mais pagam mais dízimo Igreja.

Sério! Ficou gravado. No dia seguinte exibição da entrevista e com a repercussão nos jornais, um batalhão de choque da Universal baixou na televisão exigindo cópia da fita. Não sei se ele levou algum puxão de orelha, mas eu, que felizmente exibi a entrevista na íntegra, livrei-me de um processo ou, pior ainda, da ira dos evangélicos. Se já teve um que chutou até a imagem de Nossa Senhora no ar, imagina o que não fariam comigo…

*

Os corruptos nadam de braçada em qualquer cidade com status de capital por estarem longe da cobrança do eleitorado e muito próximos ao sedutor poder. Isso é fato mais que sabido. Portanto, pura bobagem satanizar Brasília. Nesse caso, o inferno, muito bem lembraria nosso Sartre, são mesmo os outros, os tantos crápulas eleitos ou nomeados, mandados para lá.

Aliás, na maioria das vezes, os políticos obscuros em Brasília são como os personagens que descrevi na nota “Famosos na paisagem”, aqui nesta página. Por estarem em todos os lugares, eles não são mais sequer objetos de atenção, a não ser, é claro, por parte daqueles que se tornam seus “parceiros” em atividades não tão públicas.

E la nave va.

Marília, me tira daqui!


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Na sala do delegado, RJ
- Você está sendo acusado de assédio dona MARÍLIA PÊRA e de provocar tumulto.
- Masâ
- Sua mochila está cheia de provas de que você a persegue e não é de hoje. Olha essas fotos. Vai negar que é você?

Fotos: S.R./MedinaonlineMarilia chanel.jpg Marilia cartaz.jpg

Provas anexadas ao processo: o meliante, em São Paulo e no Rio de Janeiro, perseguindo a atriz

- É, sou eu. Acompanho a carreira dela há muito tempo.
- Você é mais um daqueles malucos obcecados por gente famosa. Dribla a segurança, se infiltra e crau!
- É meu trabalho!
- Sem essa. Tá cheio de lunático por aí dizendo que é da imprensa.
- Mas eu sou! Quer dizerâ fui. Fiquei um pouco afastado, mas tô querendo voltar.
- É fotógrafo?
- Não, sou blogueiro.
- Sabia, é coisa de tóchico.
- É da internet!
- Ahã, pedófilo então!
- Não, seu delegado, pelo amor de Deus! Eu escrevo para uma pagina na internet, um blog. Tem até meu nome.
- Desde quando?
- Tô começandoâ
- E já se acha no direito que criar confusãoâ Todo mundo viu você avançar para o palco e apontar para ela.
- Era só uma câmera fotográfica.
- Só? Conta outra. Naquele filme “O Guarda-Costa” o sujeito colocou uma pistola na filmadora para matar a atriz. Aposto que foi nele que você se inspirou.
- Eu não estava armado! Só tirei uma foto. Posso provar, tá aqui, ó (mostra a foto):

Foto: R.M./Medinaonline MarÃlia Carmem

- Uhmâ Não me convence. Como explica o tumulto, então? Teve até gente pisoteada!
- Não tive culpa. Assim que o espetáculo acabou, saí correndo lá do meu lugar e fui pra frente do palco. As primeiras filas do teatro estavam ocupadas por velhinhas. Elas devem ter se assustado com o flash da câmera e começaram a gritar. Aquelas loucas!
- Olha o respeito. Você pode ser enquadrado no Estatuto do Idoso também!
- Desculpa. O senhor está me deixando nervoso. E essas donas me irritam com esse negócio de chegar em caravana e pegar os melhores lugares.
- Elas vieram testemunhar contra você. Tá encrencado, meu camarada.
- Mas eu nem reagi. Elas é que me espancaram!
- Você não se safa dessa. Vai ficar detido aqui até dona Marília decidir se vai dar queixa.
- Ela vem aqui?!?
- Não, malandro. Ela saiu em turnê e você vai ter que esperar em cana.
- Santa Carmen Miranda valhei-me!

Famosos na paisagem


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Dois tipos de “anomalias” tomaram de assalto de maneira irreversível a paisagem do Rio de Janeiro: os meninos de rua eâ os TELEVISIVOS. E, por mais incrível que possa parecer, embora estejam largamente distanciados na chamada pirâmide social, esses dois gêneros guardam similaridades gritantes.

Para início de conversa, é simplesmente impossível passarem despercebidos: perambulam por qualquer canto, muitas vezes em bandos e se multiplicam indiscriminadamente.

Estão nas ruas, shoppings, bares, teatros, casas de shows - as crianças, do lado de fora, claro. Principalmente nos eventos, de qualquer natureza. Farejam distância o aroma da famosa BLT (Boca Livre Total) e logo se apresentam. Todo mundo já sabe que VIPs têm uma queda toda especial por convites e que onde tem badalação tem pedinte porta. Afinal, pouca coisa dá tanto resultado quanto a exploração da imagem, da boa e da triste.

Normal. E, justamente por isso, depois de algum tempo de pura curiosidade sociológica, você deixa de se surpreender com a onipresença deles. É batata: primeiro você esfrega os olhos para ter certeza de que estão ali ao lado. Depois começa a achar que anda tropeçando demais neles. Por fim vem a indiferença ou até mesmo a vontade de virar a cara quando os vê.

Aí você tem a sensação de que seu imaginário está sendo roubado. Afinal, somente nele tantas crianças e artistas apareciam encenando “Les Misérables”. E agora eles viraram de carne e osso!

Em se tratando dos meninos de rua, provavelmente, seu choque será menor, já que em sua cidade eles também se incorporaram paisagem há muito tempo e quase ninguém mais se importa. Mas em relação queles outros estranhos seres que pululam pelo Rio de Janeiro, depois de um tempo, você fica tão sufocado que tem vontade de gritar: “Socorro, tira esse global daqui”!

*

Antes que a classe me boicote e eu perca meu tão sonhado contrato televisivo, um esclarecimento: essa reflexão se aplica especialmente s auto-proclamadas “celebridades”, figurinhas mais do que fáceis nas ruas, justamente porque se alimentam da generosidade popular - mais uma vez, qualquer semelhança com medicânia não é mera coincidência.

Medalhões não ficam dando sopa por aí, e quando dão o ar da graça a gente tem vontade de levar pra casa, né? Nesta última temporada no Rio meus olhos quase saltaram aos pés de estrelas absolutas do firmamento, como, por exemplo, Fernanda Montenegro, na ABL, e Renata Sorrah, no Municipal. Ocupamos assentos próximos e eu fiquei com torcicolo de tanto espiar. Devia ter assumido a tietagem e pedido um autógrafo, mas a malfadada timidez me impediu. Pois é, a cara-de-pau que tenho quando estou a trabalho e quero descolar uma entrevista ou notícia, dá lugar a um inexplicável acanhamento em momentos de diversão (alguém vai gritar “há controvérsia”; mas nem ligo).

Em relação turma arroz-de-festa televisiva, continuo achando que eles deveriam ficar enclausurados, como os big brothers. A gente teria, ao menos, a possibilidade de mudar de canal.

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Bate Daniela, bate!


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Foto: DivulgaçãoDaniela show.jpg

Estou adorando essa nova fase panelaço da DANIELA MERCURY.

Com o show “Balé Mulato”, que está em turnê, ela resgata a vibração natural que sempre nos seduziu. Nada contra a veia eletrônica de seus últimos trabalhos; experimentar é preciso. Mas, entre a carrapeta do XRS e o atabaque do Carlinhos Brownâ

Como é bom ver Daniela balançar o coreto com seu borogodó tipicamente baiano. E olha que no Canecão, em março, ela entrou meio tímida - logo quem. Cheguei a achar que não fosse emplacar. Mordi a língua: devia ser só nervosismo da estréia - os bambas também têm disso. Bastou o tempo de um esquenta pra entidade baixar nela, tomar conta do terreiro e incendiar a caboclada.

Arrepiou com “Meu Pai Oxalá”, “Aquarela do Brasil” e “Mambê Dandá”, jogou capoeira (com direito a estrela e ginga de mestre), saudou o carnaval carioca e consagrou o afro, tudo na maior elegância. O melhor de tudo: usou e abusou da percussão. Até os bailarinos entraram na roda, com saias-bacias, batendo panelas, tampas, baldes. Ela, uma gostosura só, regendo aquela explosiva sinfonia la Stomp - com a vantagem de que com axé ninguém pode, né? Espetáculo, essa Daniela Mercury versão 2006.

E com a mesma intensidade com que brilha na pajelança musical, ela anda soltando a voz firme com outro figurino, de cidadã engajada. Lá mesmo no palco convidou o público para conhecer a ONG “Quero Mais Brasil”, que tem arrastado pencas de personalidades num movimento contra a corrupção e o desgoverno nos gastos públicos. Recentemente, em Portugal, onde se apresentava, teria batido duro no governo, posicionando-se contra a reeleição, segundo a imprensa local. Ela diz que suas declarações foram distorcidas. Mas os patrulheiros do além já se pintaram para a guerra e andam pregando até boicote a ela.

Na falta de argumentos consistentes, a acusam de “falar mal do Brasil no exterior”. Balela. Pode-se ou não concordar com sua opinião, mas jamais cassar-lhe o direito de se manifestar, onde quer que esteja. Até porque, Daniela Mercury não falou mal de seu país, para o qual ela é motivo de orgulho, com a chancela inclusive da Unesco e da Unicef, que dela fizeram embaixadora. Se o fez, foi em relação ao governo cujo presidente até hoje só se pronunciou sobre o mar de lama que inunda a cena política nacional numa entrevista emâ Paris. Como esquecer aquele antológico “o que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente”, proclamado por sua excelência?

Se uma defesa dessas - elogio mesmo - pode ser feita lá fora, por que não é permitido criticar também? Dá para imaginar americanos sendo repreendidos por se indignarem com o Bush ou uma mordaça na advogada Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, por denunciar ao mundo os crimes contra a democracia e os direitos humanos cometidos em seu país, o Irã? Pode-se considerá-los menos patrióticos por isso? Ao contrário, foi-se o tempo em que toda lucidez, uma vez incômoda aos poderosos, deveria ser castigada.

Pois então, bate, Daniela, bate!

Não falta quem queira te aplaudir, nos palcos e nos “bailes” da vida. Eu puxo a fila.

Voto no Capital


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Se tem uma coisa que respeito é voto. Hoje muito mais, pela desconfiança de que tenha jogado um dos meus no lixo, recentemente. Mas não importa, continuo venerando as urnas e vou além, correndo um risco que já me custou caro: faço campanha. Espontânea, que fique bem claro.

Meu próximo voto, consciente e empolgado, é para oâ CAPITAL INICIAL. No Prêmio Multishow (16 de maio). Fecho com eles na categoria de “Melhor Show”.

É uma temeridade, reconheço. De rock entendo patavinas, como se dizia em meu tempo, ligeiramente posterior ao da Mary Montilla e da Guida Guevara. Sou daqueles que ouvem, gostam e ponto. Além do mais, dentre os cinco indicados, Charlie Brown Jr, Ivete Sangalo, Los Hermanos, Jota Quest e Capital, só assisti os dois últimos - no Jota Quest não levo fé, depois falo o porquê. É, portanto, um voto escancaradamente sentimental, mas não apenas saudosista. Explico.

Quando fui morar em Brasília (1984), em plena idade do desbunde, 16 anos, o punk rock era objeto de adoração quase fanática por grande parte de meus colegas da UnB. Influenciados pelo pioneiro Aborto Elétrico, então já desfeito, Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial dominavam a cena. Se dependesse dos brasilienses, Renato Russo, Herbert Vianna, Philippe Seabra e Dinho Ouro Preto teriam seus rostos esculpidos na Colina da Universidade, igualzinho aos presidentes americanos no Mount Rushmore. E tome contestação!

Capital

Capa do CD Capital Inicial - Aborto Elétrico (Reprodução)

Mas eu era menino do interior, bem-comportado, e dessa erupção vulcânica acabei sendo apenas um contido voyeur, do tipo cheio de vontade, mas sem um pingo de coragem para barbarizar. Sequer ia aos shows, com medo de quebra-quebra. Imagina, quase como estar em Roma e esnobar o papa. Ô remorso! A exceção foi o Paralamas, que sempre assistia quando se apresentava na cidade. Os outros, só na vitrola e pela TV.

Eis que só agora em março, mais de duas décadas depois de sua criação, fui ver de perto o Capital Inicial, no Canecão. Um choque. Impossível não recorrer ao bordão da langerie: “o primeiro show deles a gente nunca esquece”! Não apenas por terem resgatado pérolas do Aborto Elétrico (”Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “Música Urbana”, “Que país é esse”, “Geração Coca-cola”), cujas letras-porretadas me fizeram viajar de volta quela efervescente Brasília musical que conheci, mas também com seus próprios clássicos, não menos arrebatadores, como “Independência”, “Fogo” e “O Passageiro”. Sem falar no vigor altura que conferem ao repertório pop, nascido do feliz reencontro de 1998.

Um show arrasa-quarteirão. Superprodução, com projeções sobre as músicas, bonecos infláveis gigantes, luz de primeira e passarela avançando pelas entranhas da platéia, deixando tietes e simpatizantes em êxtase. Dinho Ouro Preto totalmente vontade no figurino “astro do rock”: voz segura, fôlego de tubarão, performance explosiva. Apesar de abusar do cacoete adolescente de substituir as vírgulas pelos irritantes “cara”, provou que continua expert na língua que todo mundo entende: vibração. Idem, idem o Fê Lemos, em plena forma, implodindo a batera. Depois de quase duas horas, a gente sai do show igual Natasha: “O mundo se acabando/ E ela só quer dançar, dançar, dançarâ”

Sinto-me, de certa forma, vingado de mim mesmo. Muito do que só ouvi nos 80âs, acabo de me lambuzar. Não chega a ser uma redenção, mas a alma está enxaguada.

No meio do show, o Dinho pregou o voto nulo nas eleições de outubro. Foi ovacionado pelo público, jovens na maioria. Bom, faça o que bem entender com seus votos, mas, acredite em mim: ao menos na votação do Multishow (www.multishow.com.br), crave no Capital Inicial. Mais que isso: se eles passarem por perto, mergulhe sem timidez!

*

Quanto ao novo show do Jota Quest, que assisti dias depois do Capital, também no Rio, fiquei decepcionado. O nome: “Até onde vai”. Saí sem a resposta.

A cenografia era surpreendente, hi-tech, com um alucinante painel computadorizado de luzes dominando totalmente o palco gigantesco do Claro Hall. Desse duelo, a banda já sai perdendo. E se você abstraísse daquela onda pula-pula deles e do público - que, reconheço, não deixa de ser interessante enquanto ritual pop - sobrava muito pouco de música. O guitarrista-galã Marco Túlio manda bem e o Rogério Flausino é carismático, mas, como bem lembrou um amigo que entende do riscado, é especialista em animar auditório; voz que é bom, necas. Senti como se estivesse na platéia do Faustão. Se não cantasse ninguém ia estranhar. O final, quando ataca de “Codinome Beija-Flor” acompanhado só pelo teclado, é desolador. Acaba salvo pelo público, que se encarrega do coro.

Como show algum se sustenta apenas em efeitos especiais e dança de isqueiros, fiquei com a sensação de que, ao contrário do Capital, o Jota Quest é para se ouvir no rádio mesmo.

Vem cá, meu rei!


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Caro amigo ABDULLAH AL-SAUD,

Quanta saudade! A última vez que nos vimos foi naquele almoço que seu colega imperador Fernando Henrique I ofereceu no Palácio Itamaraty para homenageá-lo, lembra-se?
Ah, éramos outros… Felizes, sem de tantas responsabilidades: você ainda príncipe-herdeiro e eu um simples jornalista prestigiando sua visita a Brasília. Aliás, aproveito para enviar uma foto sua que eu mesmo tirei e a matéria que fiz sobre aquele inesquecível momento quase família que desfrutamos.

Quando você se tornou rei, ano passado, queria ter ido abraçá-lo, mas a agenda sobrecarregada não me permitiu, pois estava prospectando novos empreendimentos. Espero que você tenha recebido meu telegrama e me perdoe a falta.
Mas, acabo de ter notícias suas. Soube que a revista Forbes apontou você como o monarca mais rico do mundo. 21 bilhões de dólares, rapaz!?! Ora, ora, veja só, escondendo o ouro, né? E eu que pensava que você ainda vivia com aquela mesada do reino.

Pois escrevo para dizer que você tirou a sorte grande duas vezes! Primeiro, é claro, recheando o bolso. Depois, por ter nas mãos uma oportunidade ex-tra-or-di-ná-ria de multiplicar seu faturamento, investindo no melhor negócio do momento na web: ações do MEDINAONLINE!

Blue chip, meu caro. Retorno garantido, liquidez imediata e valorização estratosférica. O mercado não fala outra coisa, já tem até lista de espera. Mas, fique tranqüilo, você está entre os parceiros preferenciais. Afinal, nada melhor que unir finanças e amizade. Marque a visita e irei aí pessoalmente apresentar-lhe essa barbada.

Bom, amigo, aguardo sua resposta. Recomendações a todos aí na nossa querida Arábia Saudita e que Alá o proteja!

Aquele abraço do velho amigo
Ricardo Medina

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Foto e matéria (Jornal de Brasília, 2000): Ricardo Medina

Tô fora


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Tenho uma confissão que talvez me custe o mais contundente desprezo por parte da moçada: não faço parte da “família” Orkut. Sério. Morro de preguiça de ficar caçando ex-colegas, sabendo quem anda onde e com quem, etc.

Mas, se for parar lá, já tenho idéia para uma comunidade: “EU ODEIO AS HAVAIANAS”. Se já existe, faço absoluta questão de aderir em caráter de urgência.

Desde molequinho, era só colocar chinelos de dedo - e não adianta querer sofisticar chamando de sandálias - em meus pés e eu os chutava longe. Ainda hoje, quando tento, acabo com o vão do dedão assado. Mas o “x” da questão não é esse. Em verdade, tem a ver com estética mesmo.

Para início de conversa, não consigo entender esse fetiche todo por pés, independente de gênero. Acho que são tão sem graça quanto os cotovelos, por exemplo - mas tem gente com tesão até por pulso, fazer o quê? Ou são magrelos demais, com aquelas veias saltadas, parecendo asas de morcegos, ou são gorduchos , que, com as tiras, ficam com jeito de sacos de batatas amarrados. Raros, raríssimos mesmo, são os apresentáveis. Com todo respeito ao Goethe e ao Tarantino - ainda que inspirado pela irresistível Uma Thurman - essa história de podofilia é punk demais pra meu gosto.

Além do mais, fala sério: há algo mais sinistro do que pés sujos mostra, sem falar em calcanhar rachado (argh), ou sandálias encardidas? Tudo bem usar na praia, em casa, na piscina, mas elevar chinelos categoria de peça fashion e emblema nacional, tenha dó! No Rio, por exemplo, só dá gringo desfilando com bandeirinhas brasileiras nas tiras das sandálias - logo eles, geralmente avessos a uma lavagem básica de pé. Para usar uma expressão que eles bem conhecem, disgusting. Aliás, antes que me esqueça, bem-feito para o Luciano Huck, que foi barrado no restaurante Esplanada Grill porque estava fazendo uma linha, digamos assim, despojado.

E a tal onda de distribuir Havaianas em casamentos para os convidados dançarem. Dá para imaginar uma mulher gastando os tufos em sapatos Manolo Blahnik, Ferragamo ou Fernando Pires para trocá-los por Havaianas no meio da festa? “Ah, mas é confortável para dançar. Os saltos matam a gente”, diz uma amiga minha. Confortável?!? E desde quando uma mulher abre mão do glamour em função do conforto? Ainda mais com sapatos daqueles, que custaram os olhos da cara - e, como costuma brincar outra amiga, “dá até peninha deixar escondido embaixo da saia ou da mesa. Às vezes dá vontade de tirar os sapatos e colocar ao lado do prato ou pendurar no pescoço pra festa inteira ver!” Isso, sem falar no pior: se esbaldar de Havaianas e acabar ficando de vez sem os sapatos - sim, porque se tem um lugar cheio de gatunos é festa de grã-fino.

Tomara que as Havaianas nunca dependam de mim para continuar faturando milhões no mundo inteiro.

Luxuoso Melodia


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Um namoro musical que eu mantinha distância finalmente transformou-se em juras de amor eterno: LUIZ MELODIA. Tinha aquela vontade imensa de vê-lo no palco, mas cadê que rolava?

Já estava me conformando, quando tirei a sorte grande: Melodia fez vôo rasante pelo Rio de Janeiro em março. Acho que descobriu que eu estava na área e apiedou-se…

Fui assisti-lo já intuindo, é claro, que dificilmente ficaria decepcionado. Mas o saldo foi muito além de uma mera confirmação, pois aquela grande simpatia que eu cultivava por ele acabou substituída, sem pedir licença, por um verdadeiro êxtase.

O show, um acontecimento altura de uma bela comemoração: os 72 anos do Teatro Rival, firme e forte na defesa da “resistência cultural”, como se orgulha em proclamar.

Para início de conversa, como bem manda a elegância, até o figurino enriqueceu a festa. Em tom pastel, perolado, casual, ele e os músicos, agradando aos olhos tanto quanto aos ouvidos. Não é -toa que tem lugar cativo em todas as listas de mais bem-vestidos da classe artística. É claro que com aquela voz ele pode cantar até coberto por farrapos. Mas espetáculo tem mais é que ser todo bonito, e também nesse quesito o Melodia é luxuoso como poucos.

A banda, da melhor qualidade, formada por músicos de Niterói, pescados por ele com o cuidado de quem sabe oferecer um banquete de primeira. Os arranjos, impecáveis; as cordas inebriantes. Tudo digno dos mestres absolutos do samba que desfilaram pelo repertório: Cartola, Ismael Silva, Zé Ketti, Geraldo Pereira, chamados por ele de “negros-mel”, além de Chico Buarque e Paulinho da Viola. Imagina, então, ele cantando “Estácio, Holly Estácio” ainda em estado de graça com a volta da Estácio de Sá ao Grupo Especial das Escolas de Samba. Antológico. Grande Melodia!

E, o melhor: o sucesso dessa primeira temporada foi tão grande que o Rival já anuncia bis de 11 a 20 de maio. Se você estiver no Rio, não perca. Se não rolar, coloque aí entre as coisas que você precisa fazer antes de morrer: aplaudir de pé o Luiz Melodia!

Só mais uma coisinha: desculpe pela esnobação, mas naquele dia do aniversário do teatro, a gente saia encantado do show e ainda recebia as bênçãos do Afoxé Filhos de Gandhi, com direito a água de cheiro e tudo mais.

Ah, nada como ir para casa sambando, de bem com a vida!